Chão das Carabinas | O Massacre dos Barbosa em Peixe - Atitude Tocantins
Chão das Carabinas | O Massacre dos Barbosa em Peixe
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Chão das Carabinas | O Massacre dos Barbosa em Peixe

Chão das Carabinas | O Massacre dos Barbosa em Peixe
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“Agora Moura Lima traz a lume o monumental romance Chão das Carabinas, onde focaliza numa visão sociológica, a crueldade do feudalismo sertanejo. E mostra em cenas eletrizantes, a tropelia dos jagunços, o repicar dos berrantes, a bravura dos vaqueiros, na marcha ronceira das boiadas, rasgando os cerradões e as imensas campinas daquele mundão verde do chão tocantinense” Wilian Palha Dia.

por Adrião Neto

É  um romance de forte conteúdo social, e de protesto, baseado em fato histórico-político-social, ocorrido na década de 30, na vila do Peixe, Norte de Goiás, hoje Tocantins. O terrível morticínio permaneceu amordaçado, no bojo do processo criminal, por mais de oitenta anos, aguardando um romancista de peso, para trazê-lo à luz, aos olhos da sociedade contemporânea e da literatura brasileira. O romance em si vem preencher uma lacuna que faltava, no ciclo do jaguncismo do Brasil-mediterrâneo. E recria acima de tudo, o drama dos oprimidos, nas mãos dos coronéis, legítimos agentes das forças opressoras do latifúndio.A Ressurreição do Regionalismo brasileiro nas Veredas do Norte de Goiás e Tocantins Wilian Palha Dia. 

Adrião Neto

De repente, o marasmo que se instalou na literatura brasileira, nas últimas décadas, foi quebrado, com o surgimento da obra literária do escritor Moura Lima, que rompeu a estagnação reinante, para se projetar dos imensos chapadões e das veredas do Tocantins, pelo país afora, como uma força viva e universal.

Nos estados brasileiros, ao longo de sua história literária Regional, foram surgindo os seus ícones, como, por exemplo, em São Paulo Valdomiro Silveira; em Minas Gerais Afonso Arinos, depois Guimarães Rosa; em Goiás Hugo de Carvalho Ramos, seguido por Bernardo Elis e Eli Brasiliense; no Rio Grande do Sul, Simões Lopes; na Paraíba José Américo e José Lins do Rego; em Alagoas Graciliano Ramos; no Rio Grande do Norte Câmara Cascudo; no Ceará Gustavo Barroso; no Piauí Fontes Ibiapina, Alvina Gameiro e Wiliam Palha Dias, e agora no Norte de Goiás e Tocantins surge Moura Lima, para a glória da literatura brasileira!

Moura Lima é um escritor arrojado, que veio da terra, do meio do povo, encarnando a alma brasileira, com suas dores, angústia e o drama sociocultural. Sua obra é autêntica e realista. A linguagem é viva, coloquial, preferindo a adjetivação por vezes rude, os regionalismos, os neologismos, as hipérboles, as repetições analógicas, de acordo com o modo de viver – e pulsar – das mentes sertanejas. Aí está a sua grandeza, sua rica universalidade, porque só é universal aquilo que resplandece da genuína condição humana. E desta forma é a sua capacidade de nos tocar e comover.

Portanto, a sua trajetória, como escritor, foi marcada com o grande sucesso alcançado com o romance Serra dos Pilões, depois com Veredão, Mucunã e Negro d’Água e agora lança outro romance de peso Chão das Carabinas-Coronéis, Peões e Boiadas. A obra é ambientada nas barrancas do rio Tocantins, e tem como enredo principal, o terrível massacre dos Barbosas, ocorrido em 1936, na Vila do Peixe. O autor para escrever o fabuloso romance, teve que estudar, exaustivamente, o processo criminal da época, foi também, obrigado a deslocar-se para o Nordeste, onde estudou também, o outro processo criminal da cidade de Pedra, Alagoas, em que o major Barbosa foi envolvido, no suposto assassinado do grande industrial brasileiro Delmiro Gouveia. E para fugir da morte escafedeu-se para o Norte de Goiás e homiziou na vila do Peixe. De posse de todas essas fontes, o brilhante romancista tocantinense, transporto-a com arte e criação literária, para o campo ficcional, gerando assim, o monumental romance, que oferece cenas eletrizantes e cinematográficas.

Moura lima é senhor de seu estilo, e abriu com sua inteligência um espaço próprio, no áspero caminho da Literatura brasileira. E, em Chão das Carabinas mostra a sua arte, ao narrar com todo realismo o horripilante morticínio, o drama dos personagens, à angústia dos órfãos e das viúvas dos mortos. Para aliviar a tensão dos leitores, no emaranhado da trama romanesca, dentro de sua técnica de escritor tarimbado, descreve uma alegre vaquejada na ilha do Bananal, em lances emocionantes da bravura dos vaqueiros, com todas as cores e beleza daquele mundão verde de Canarana. E ao longo do romance, os personagens vão contando os causos pitorescos do sertão, e, no final, o autor pinta em cores vivas o ataque dos jagunços a Porto Nacional, que nada mais é do que a vingança premeditada de um dos filhos do finado major Barbosa, que voltou com um bando de jagunços armados, até os dentes, para vingar o terrível massacre de seus familiares, que foram cruelmente assassinados.

Enfim, o romance é uma epopéia do sertão, é a ressurreição da literatura regional brasileira nas veredas do Tocantins.

* Adrião Neto – Dicionarista biográfico, historiógrafo, poeta e romancista. Membro da International Writers and Artists Association, da Associação Nacional de Escritores, da Ordem Internacional das Ciências, das Artes, das Letras e da Cultura e da União Brasileira de Escritores do Piauí.

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