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Escritor Giovanni Salera publica biografia do Sargento Gama
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Escritor Giovanni Salera publica biografia do Sargento Gama

“Sua partida precoce deixou todos abalados, desnorteados, afinal ninguém imaginaria reunir toda a turma de Direito 2019/1 da FASEC, dois meses depois do momento mágico da formatura, no mesmo local, para uma despedida tão dolorosa. Hoje a saudade prevalece, mas jamais apagará da memória dos colegas o prazer e a alegria que a turma Jefferson Franco teve na oportunidade de conviver com o “Seu” Deusdete nos cinco anos de faculdade”, Giovanni Salera sobre a vida do Militar da Rotam, Sargento Gama, morto aos 53 anos no dia 01 de novembro de 2019 após troca de tiros com assaltantes suspeitos de explodirem um posto de atendimento bancário em Pequizeiro.

Por Giovanni Salera Jr.

O Sargento Américo Gama marcou a história como um membro valoroso da Polícia Militar do Tocantins. Ingressou como soldado em 1992 e tornou-se um combatente aguerrido e atuante na proteção da sociedade tocantinense. Faleceu de maneira inesperada, em um combate, em 1º de novembro de 2019, deixando uma marca profunda de dor e saudade em tantos que o admiravam! Um herói que deu sua vida fazendo aquilo que mais prezava: proteger e defender a população!

Por tudo que o Sargento Gama fez e representa não podemos deixar de honrar e preservar sua memória! Esse texto foi elaborado no objetivo de resgatar um pouco daquilo que ele era como cidadão, pai, marido, amigo e policial militar.

Nasceu em 02 de março de 1966, no município de Rio Sono, filho dos produtores rurais João Batista Gama e Marina Américo Gama. O segundo filho de uma grande família de 9 irmãos, sendo 6 homens e 3 mulheres: Deusamar, Deusdete, Judson, Juldeci, Valdeci, Oesme, Odeuzian, Edivan e Cleber.

Estudou as séries iniciais em Rio Sono. Começou a trabalhar cedo ajudando seus pais nas atividades na fazenda. Depois mudou-se para Paraíso, onde foi trabalhar e deu sequência nos estudos.

No segundo semestre de 1991, ele teve o privilégio de passar na disputadíssima seleção para ingressar no quadro da Polícia Militar do Tocantins (PM-TO).

Em 3 de fevereiro de 1992, com 25 anos, aconteceu sua formatura no Curso de Formação de Soldado (CFSD) da Polícia Militar do Tocantins (PM-TO). Assim que se formou, o então Soldado Gama foi para o 3º Batalhão de Pedro Afonso. Atuou em Miracema por alguns anos, até ser transferido para Palmas.

Em 2001, ele e seus companheiros de farda vivenciaram “A Greve da PM” – que foi o episódio mais polêmico da história da Polícia Militar do Tocantins, que foi um movimento de reivindicação por melhores condições de serviços e salários. Nas principais cidades do Tocantins, 11 quarteis foram ocupados por esposas, filhos e amigos de policiais que aderiram à causa. Foram dias tensos e difíceis nos quais o Estado mergulhou num profundo mar de incertezas. A paralisação mobilizou comerciantes e moradores locais que levavam suprimentos (comida, água, gás etc.) para os grevistas e suas famílias que estavam aquartelados. Tanques do Exército cercaram os locais e o clima de tensão era enorme, com receio de ocorrer um conflito armado entre as forças de segurança. A mídia nacional veiculava reportagens diárias sobre a situação em Palmas e algumas cidades do estado. Por fim, após 10 dias a greve foi encerrada. O Sargento Gama e seus companheiros sempre se recordavam daquele período conturbado que todos vivenciaram.

Desde então, ele trabalhou intensamente em atividade operacionais, nas ações mais diversas, combatendo o crime e garantindo a segurança comunitária.

Era membro da Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins (APRA-TO) e sempre que possível participava das confraternizações realizadas.

Em 2008, ingressou no 1º Curso operacional do Batalhão de Polícia de Choque – ROTAM.  Um pioneiro da ROTAM, onde era considerado uma lenda viva, sendo respeitado e admirado por superiores, pares e subordinados.

Devido sua qualificação, foi designado para compor o efetivo de policiais militares do Tocantins à serviço da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).  Alguns dos melhores policiais são encaminhados a Brasília-DF e de lá são distribuídos para os lugares que precisam de reforço policial, indo atuar nas regiões de fronteira, em crises e rebeliões em presídios, onda de ataques de facções criminosas, em tragédias e calamidades públicas, como: enchentes, deslizamentos de terra, rompimento de barragens etc. Nessa função, o Sargento Gama, às vezes, passava longos períodos, de 30, 40 até 60 dias, longe de casa. Aquelas missões de grandes perigos e responsabilidades também eram de muito aprendizado. Ao retornar para Palmas, ele fazia questão de repassar os conhecimentos e técnicas que adquiria nas ações junto a Força Nacional aos seus companheiros da PM.

Em 1º de fevereiro de 2017, ele teve que superar a dor da perda de seu pai, o Sr. João Batista Gama, que faleceu em Rio Sono. Era um homem trabalhador, forte, de boa índole. Desde então, sua mãe, Sra Marina Américo Gama, que é conhecida carinhosamente como “Dona Santa” vive sob os cuidados e atenção das filhas Juldeci e Deusamar. “Dona Santa” é conhecida em Rio Sono pela humildade, simplicidade, carinho e bondade. Sempre referem-se a ela como uma mulher muito admirada e querida entre seus parentes, bem como em toda comunidade riosonense.

O ano de 2019 foi de muitas conquistas! Em 22 abril de 2019, o governador Mauro Carlesse conduziu a cerimônia de graduação dos policiais militares – evento no qual Deusdete Américo Gama foi promovido à 1º Sargento.

Em julho de 2019, Sargento Gama se formou em Direito na Faculdade Serra do Carmo (FASEC). Publicou como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): “A ausência de um critério legal objetivo para a distinção entre consumo pessoal e tráfico de drogas na Lei n. 11.343/2006”, sob a orientação da Prof.ª e Advogada Criminalista Cristiane Dorst Mezzaroba.

Ninguém poderia imaginar que num ano de tantas alegrias algo tão triste iria acontecer. Durante a operação realizada pela equipe da ROTAM na região do município de Pequizeiro, nas buscas de uma quadrilha de roubo a bancos e carro forte, o Sargento Gama foi alvejado durante confronto com integrantes da quadrilha, sendo socorrido, porém vindo a óbito no hospital de Araguacema. Foi um choque enorme para toda a corporação da Polícia Militar, bem como para toda a sociedade tocantinense.

Sargento Gama, para os colegas do curso de Direito, “Seu” Deusdete. Um colega muito querido e a maior referência que todos tinham era a sua prontidão e disciplina. Sempre pronto em ajudar e servir no que fosse necessário. Sua partida precoce deixou todos abalados, desnorteados, afinal ninguém imaginaria reunir toda a turma de Direito 2019/1 da FASEC, dois meses depois do momento mágico da formatura, no mesmo local, para uma despedida tão dolorosa. Hoje a saudade prevalece, mas jamais apagará da memória dos colegas o prazer e a alegria que a turma Jefferson Franco teve na oportunidade de conviver com o “Seu” Deusdete nos cinco anos de faculdade.

Para todos os professores, era simplesmente, Deusdete. Um acadêmico do curso de Direito da FASEC exemplar, pela sua conduta sempre solícita, educada, atenciosa e compromissada com seus estudos. Enquanto ser humano, o Deusdete possuía uma conduta diferenciada, seu tom de voz sempre inalterado, mas que expressava opinião com firmeza argumentativa como poucos. Sua professora Cristiane Mezzaroba, que é Advogada criminalista,   recorda-se de inúmeras conversas de fim de aula ou nos corredores. Não faltava assunto entre eles, pois os  dois eram apaixonados pelo Direito Penal! Ela relata emocionada que Deusdete fazia o curso de Direito para exercer a profissão de policial com maior segurança, com a certeza de que estava sendo justo, de que mesmo quem, por algum motivo, se desviou do caminho correto, não deixava de ser um ser humano. Prova disso, foi o tema que ele escolheu para o trabalho de conclusão de curso: a necessidade de se estabelecer, legislativamente, critérios objetivos para diferenciar o usuário do traficante de drogas. Pesquisou exemplos de vários países que já adotam tais critérios, com isso, deixou também um legado jurídico publicado em Revista Científica. Sua mestra ainda relata que teve a honra de ser a paraninfa da turma de Direito 2019/1 da FASEC e, mais, a honra de entregar o almejado “canudo” ao Deusdete. Recorda-se bem acerca daquele dia: “seus olhos brilhavam, seu sorrido aberto na alegria da conquista, inesquecível.”Lembra-se com pesar do dia da sua partida: “de repente, no celular começaram a chegar inúmeras mensagens dos seus colegas de turma, mensagens incrédulas, mas carregadas do sentimento de dor. Nos reunimos todos novamente, professores, alunos, o sorriso de apenas dois meses depois da formatura dando lugar às lágrimas,  para o adeus daquele que deixou somente bons exemplos para todos, na certeza, que o Deusdete cumpriu sua missão com louvor!”

Sua partida, sem dúvidas, foi a maior perda de um membro das forças de segurança do Tocantins. Um número enorme de autoridades, políticos e líderes religiosos e comunitários se manifestaram nas redes sociais pelo seu falecimento. O governo do Estado decretou luto de 3 dias pela perda desse nobre servidor público.

O corpo foi velado no Quartel do Comando Geral. Na tarde do dia 02 de novembro, na saída para o cortejo, mulheres dos policias da ROTAM usaram rosas brancas para fazer uma espécie de túnel, por onde o caixão passou, carregado por seis homens da corporação. Em meio a muito choro e pesar o caixão foi transportado na viatura do Corpo de Bombeiros até o cemitério Jardim da Paz, em Palmas.

Deixou esposa e quatro filhos: Katiele, Lucas, Bruna e Helen.

Sargento Gama viveu e atuou intensamente seguindo os princípios da corporação que tanto respeitava. Era considerado um membro da elite da Polícia Militar, pelo seu zelo, dedicação e amor à farda. Nunca se furtou em cumprir alguma missão, por mais difícil e arriscada que fosse. Era um líder e inspirava a muitos que viam em sua dedicação e compromisso um estilo de vida a ser seguido. Um militar de corpo, alma e atitudes.

O Sargento Gama representa um grupo seleto de homens e mulheres valentes que tem se dedicado ao longo desses 30 anos, trabalhando em defesa da ordem e da segurança pública do Estado do Tocantins.

Sua partida deixou uma lacuna enorme no coração de familiares, amigos, companheiros do Batalhão da ROTAM e em toda a Polícia Militar do Tocantins.

Os moradores da Quadra 307 Sul (ARSO 33), que estavam cuidando de uma área no intuito de instalarem uma praça, decidiram voluntariamente batizar o local em sua homenagem. Agora a área é conhecida como “Praça Sargento Gama”. Essa é, sem dúvidas, só uma ação entre muitas que virão para que seu nome e as boas coisas que ele representa sejam preservados para as próximas gerações!

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