Cavalgada: A doença Mormo é discutida com representantes do município de Gurupi - Atitude Tocantins
Cavalgada: A doença Mormo é discutida com representantes do município de Gurupi
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Cavalgada: A doença Mormo é discutida com representantes do município de Gurupi

O presidente da Adapec, Humberto Camelo, recebeu na tarde desta segunda-feira (10), os vereadores de Gurupi, Eduardo Fortes (PSDB), Valdônio Rodrigues e Jair Cunha   (PMDB), o presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse e o presidente da Agência Tocantinense de Saneamento (ATS), Eder Fernandes, para debaterem a restrição de aglomerações de equídeos em eventos abertos, como cavalgada, em razão de uma determinação judicial que envolve o município.

Na ocasião, foram apresentados aos participantes a atual situação do Mormo no Estado e as ações para prevenir, controlar e combater a doença, por parte da Agência.

O presidente Humberto Camelo explicou que Gurupi é limítrofe aos focos que foram registrados em Formoso do Araguaia, Sandolândia e Cariri do Tocantins, o que provocou uma determinação judicial para impedir a proliferação da doença. “Seguimos as exigências do Ministério da Agricultura e a determinação judicial do município. Não podemos assegurar que não há riscos em eventos abertos, a exemplo da cavalgada, pois possibilita a entrada de animais, aleatoriamente, ao longo do percurso, inviabilizando a fiscalização”, enfatizou acrescentando que, os eventos cadastrados na Agência e o trânsito de equídeos com documentos obrigatórios são permitidos.   

Mormo C

No Tocantins, das 85 propriedades rurais suspeitas, 57 foram interditadas. Foram coletadas 1.465 amostras de sangue para possível diagnóstico do Mormo. No total, foram diagnosticados 34 animais positivos. “Desde 2015, quando surgiu a doença, temos feitos um trabalho árduo, para impedir que a doença avance, porém a cada novo caso, é realizado o sacrifício dos animais positivos e o regime de saneamento na propriedade. O tempo é necessário, porque é a forma mais segura de prevenção”, disse o presidente. A desinterdição só é feita após a realização de dois exames de Fixação de Complemento consecutivos com resultados negativos, em todos os equídeos da propriedade, com intervalos de 45 a 90 dias.  

Na região, de 2015 até abril de 2017, foram promovidas 292 palestras, com um público de 5.950.

O Responsável pelo programa estadual de sanidade dos equídeos, Raydleno Mateus Tavares, falou especificamente do trabalho de saneamento nas propriedades focos e nas circunvizinhas, a forma de transmissão da doença e os riscos para os animais e aos humanos. “O Mormo não tem tratamento, os animais positivos são sacrificados. É uma doença de grande importância porque a literatura relata uma alta letalidade em humanos infectados com a bactéria, podendo chegar a 95% de chance de vir a óbito. É um problema de saúde pública”, destacou acrescentando que aglomeração de equídeos, sistema de criação coletivo, trânsito irregular e o manejo higiênico deficiente são fatores que favorecem a contaminação.

O presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse, disse que a reunião foi produtiva. “As discussões foram válidas. Agora, vamos elaborar um requerimento para sensibilizar a justiça, com intuito de cancelarem as restrições em Gurupi”, pontuou. A restrição de aglomeração de equídeos no município de Gurupi, que o órgão está cumprindo, está previsto no processo nº 0004119-03.2016.827.2722 da Comarca do município.

Já o vereador Eduardo Fortes, disse entusiasmado com a reunião. “No final fizemos um ofício por meio do gabinete do deputado Mauro Carlesse, assinado por todos que estavam na reunião, questionando a Adapec se Gurupi está livre de foco de Mormo. Acredito que a Adapec deve responder mostrando que Gurupi está isenta e não teve nenhum caso na região. Com este parecer em mãos, poderemos  apresentar junto ao Ministério Público para que peça ao Judiciário a liberação da cavalgada”, disse Eduardo Fortes.

O presidente da Agência Tocantinense de Saneamento (ATS), Edinho Fernandes, falou ao Portal Atitude que esteve na reunião representando a deputada federal Josi Nunes.

“Gurupi nunca teve foco e, acredito que com uma vigilância da Adapec nas barreiras dos municípios que já tiveram foco é possível evitar que algum animal venha ser contaminado em Gurupi para que a cavalgada ocorra de forma tranquila e sem risco às pessoas que irão participar, pois envolve saúde pública”, disse o presidente da ATS.

Participaram da reunião os vereadores: Jair Souza, Valdônio Rodrigues e Eduardo Fortes, bem como a equipe técnica da Agência.

Mormo

O Mormo é uma zoonose, infectocontagiosa, cuja letalidade em humanos é alta, e a infecção humana ocorre por contato com secreções por via de penetração da pele, mucosa nasal e ocular. Além disso, pode ser transmita de um animal para o outro por meio da ingestão de alimentos (ração, feno, volumoso) ou água, compartilhados por vários equídeos (contaminados e sadios), através de descargas do trato respiratório ou lesões de pele ulcerada de animais infectados, salienta-se que principalmente em aglomerações o risco de contaminação dos animais é maior devido a esta prática ser comum.

Devido à inexistência de vacinas e os tratamentos serem proibidos para os animais, recomenda-se para o trânsito de equídeos exames negativos para a enfermidade; controle de eventos pecuários e aglomerações de equídeos (por exemplo: cavalgadas, vaquejadas, outros). Ao todo, 23 Estados têm registro da doença. (Com informações da Adapec)

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